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JOÃO ISABEL

CONTOS SERRANOS

Edição da CÂMARA MUNICIPAL DE MANTEIGAS

(uma digitalização de www.joraga.net com pistas de leitura… 2015 10)

2 -- João Isabel

DO AUTOR:

-- Estela, poesia (1918)

-- Três problemas sanitários urgentes, ensaio

(1948)

-- O Infante de Sagres, confierência (1960)

-- A família e a educação religiosa dos filhos, conferência (1960)

-- Quando a Neve Cai, poesia (1961)

-- Cântico da Montanha, poesia (1977)

-- Mare Nostrum, poesia (1984) Biblioteca Municipal de Manteigas L -- 821 134 3-3 ISA -- 00154 Contos Serranos -- 3 JOÃO ISABEL ILUSTRAÇÕES DE ISOLINO VAZ

EDIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE MANTEIGAS

4 -- João Isabel Título: CONTOS SERRANOS Autor: João Isabel Editor: Câmara Municipal de Manteigas © 1988 by João Isabel e Câmara Municipal de Manteigas para esta edição (de 1988) Ilustrações: Isolino Vaz Fixação de texto e revisão de provas: Elsa Isabel e José Duarte Saraiva Fotocomposição, impressão e acabamento: PENTAEDRO, Publicidade e Anes Gráficas, Lda.

Praceta da República, Loja B, Póvoa de Sto. Adrião 2675 ODIVELAS Dep. Legal: 20596/88 Contos Serranos -- 5 Ao povo da minha terra 6 -- João Isabel Contos Serranos -- 7 8 -- João Isabel Contos Serranos -- 9 A ABRIR...

João Isabel era médico e poeta: eis duas credenciais seguras para que pudesse vir a ser um bom contista. E é-o.

Fialho de Almeida, Rodrigo Paganino, Miguel Torga, Fernando Namora e Araújo Correia foram todos médicos e são dos melhores contistas da nossa literatura; alguns são também poetas de rara estirpe. Quanto ao lado poético, é geralmente aceite que o conto compartilha muito das características da poesia, pela economia de meios a ambos exigida: “Arte de sugestão, o conto aproxima-se muitas vezes da poesia e dai até a fuga para a sua forma de literatura fantástica”1. Nos versos que publicou, J. Isabel mostrou-se um poeta emérito e lembro a obra “Mare Nostrum” 2, em que o soneto atinge um nível de excepção, além da musicalidade e do ritmo que o acompanham.

Como poeta cristão que a cada passo se mostra, com uma unção religiosa a pairar pelos seus versos, alarga esta sua mundovisão aos contos, cuja elaboração se estendeu por vários anos até bem perto da sua morte, como me

foi revelado por uma das suas filhas. Diz-me D. Elsa Isabel:

“alguns foram feitos quando se encontram ainda cheio de força e saúde, outros, como a “Ti Clotilde” (creio que o último), já bem, bem doente”3.

(1) - “Teoria da Literatura” Vítor Manuel Aguiar e Silva, Coimbra, Livraria Almedina, 3.* Edição, 1973.

(2) -João Isabel, Guarda, 1984.

(3) - Carta de Lisboa de 27/X/87.

10 -- João Isabel Julgo que só um foi publicado em vida do autor -Um Pastor da Serra”4, sinal de que J. Isabel esperava alguma coisa mais do seu estro e talvez aguardasse altura oportuna para lhes juntar outros ou dar outra forma.

Vergílio Ferreira, no prefácio da edição dos seus “Contos”5, opõe o conto ao romance, comparando aquele a uma cerâmica ou a uma gravura, e este a um quadro a óleo.

Assim será, ou muito perto disso, embora não se esqueça de assinalar que a diferença visa em particular a “dimensão” mais ligada à estrutura básica do que ao tamanho.

Seja como for, os “Contos Serranos” de J. Isabel, que agora vêm a lume, são um retrato da Serra e da sua gente, com personagens não arrancadas à vida mas que são a própria vida. Algumas delas nem envolvidas estão pelo “manto diáfano” queirosiano, de tal forma encarnam pessoas que nós conhecemos e com quem lidamos no dia-a-dia da vida serrana. Não serão as mesmas mas são tão parecidas que umas e outras se confundem, como face do real.

Gosto sempre de lembrar a observação, profunda e cheia de ironia que Fernando Namora escreve em prosa introdutória da sua “Resposta a Matilde”6, sobre as relações da Arte com a vida. E sabem porquê? Só porque, quanto mais entra na vida e tenta debuxá-la, mais o artista sobressai como artista, naquela interpenetração entre a vida e a Arte, que é sempre um segredo fascinante e inextricável.

Que manancial de figuras típicas, enraizadas numa topografia que é parte da serra que tanto amou: o pastor João Badana, bem desenhado, enquadrado no seu meio, na cena cheia de vida que é a venda da cabra (”chiba" lhe chamará na sua linguagem rústica); o António Canário e o Chico Perdiz, na rivalidade sempre em aberto na vila de ManteiVer 'A Guarda” n.º 3931 de 8/VI/84.

(5) - Vergílio Ferreira, ”Contos” Arcadia, Lisboa, 1976.

(6) - “Resposta a Matilde” Fernando Namora, Livraria Bertrand, Lisboa, 1980.

Contos Serranos -- 11 gas, entre os ”macavencos” e os ”macarroncos“ (os de cima da vila e os de baixo), numa luta dura, na rudeza das personagens, em que se vê aplicada a pena de Talião; no conto “Dois Parceiros”, a antítese marcada pelo Albino Marra e o Joaquim Cuco -- aquele, servidor capaz de dar a vida pelo amo; este, trabalhador revolucionário e anarquista, contaminado por ideias marxistas; o Pataquinho, figura tão típica de qualquer terra provinciana; a Maria, criada do Prior, que é quem tudo manda e dispõe lá em casa... e fora dela. De todas estas figuras, como de outras de que aqui se não fala, nos são dados retratos incisivos, rápidos e sugestivos, tendo como pano de fundo tradições, usos e costumes bem assinalados e vivos no espaço a que a obra esta ligada.





Quando se consultar um roteiro, mapa ou carta topográfica dos lugares calcorreados pelas personagens saídas da pena de João Isabel, não podemos encontrar maior riqueza de nomes do que os que aparecem nos seus “Contos Serranos": os Cântaros, os Piornos, o Covão da Ametade, o Mondeguinho, as Penhas Douradas e o Observatório, a Nave e a Lagoa Comprida -- e tantos mais que tenho de omitir - como nos enchem de vitalidade a alma, com o ar puro e fresco que lá se respira e nos chega pelas correntes frescas da memória e pelo debrum artístico que o autor põe, em linha emocional, a sair do seu coração, grande e terno como era. E a dominar, embora lá no fundo, no vale glaciar do Zêzere, a sua Manteigas, sempre atractiva, bela e viridente. Mas repare-se, é a vila de Manteigas, física e humana: em personagens como Joaquim de Matos e Manuel da Cunha, tão bem delineados na azáfama do seu trabalho honrado, estamos a ver os antepassados autênticos dos actuais industriais do burgo, que fizeram a sua grandeza.

Não se pode pensar que E só o banal e corriqueiro que atrai João Isabel: a sua mirada vai para o Alto e, no domínio estético, a sua visão raia pelo limite do simbólico: estou a lembrar-me do conto “Rosa Maria”. Pecadora? Perante Maria Madalena, que é esta pobrezinha, tão humana e 12 -- João Isabel tão fraca? Coberta pelo manto alvinitente da neve - realidade do quotidiano na Estrela -- que outra coisa é senão o símbolo da pureza em que o narrador envolve a sua personagem? É que ela nem chega a pecar e a recta formação do narrador bem interpretou o instante e ocasional apelo carnal do seu amor: o destino levou-lhe o noivo e eis o seu martírio de jovem, que, a ser mãe, morreu envolta na brancura da Natureza...

Não podemos esquecer a grandeza de alma dos “Dois Parceiros” -- a igualdade no infortúnio, no abraço que os uniu, patrão e servidor; o capital e o trabalho, não na luta de classes, mas no bom entendimento estribado no amor, até à hora da morte.

A política ao vivo, no seu verso e reverso, vistos no diálogo espontâneo e natural do pobre pastor da Serra -aqui a vox populi -- a criticar amargamente o grande político que tanto revolucionou a mentalidade portuguesa nos princípios do século -- Afonso Costa. Mas muito menos do que pensou e se esforçou por fazer!

No conto “João Brandão” pelo simples acaso da parecença física, podemos ver como os extremos se tocam: a bondade de Manuel da Cunha e a brutalidade (não isenta de coração, às vezes) trouxe como consequência uma protecção mútua, forma hábil mas real de vencer a dureza das travessias da serra: o perigo e o risco perante a segurança e a protecção, como que convertidos em autêntico mito, que não renega a origem remota do conto como forrma narrativa.

Na “Noite de Consoada” não E cheio de significado aquele perder-se na Sena o Zé Isidro, bloqueado pela neve, para consoar com a família? E a busca e o encontro com a festança respectiva?

Em “DoisParceiros” tem sabor a merecer comentário especial a entrada do Albino Marra e do Joaquim Cuco na Igreja, bêbedos como de costume, a pedir perdão à Senhora da Contos Serranos -- 13 Graça pelas suas faltas -- aqui fundamentalmente o vício dos copos.

Mas nem todas as personagens são boas: João Isabel sabe bem, e a sua arte não o deixa enganar, que não lidamos com anjos no dia-a-dia. E eis porque aparecem traços de vilania e maldade, como a vingança do conto “Bairrismo”

- "olho por olho, banho por banho”, que tem na base a velha rivalidade entre as duas freguesias da vila. E, nesta mesma ordem de ideias, porque não lembrar a violência a que sujeitam o Pataquinho, morto por partida cruel e de mau gosto, fazendo-o ingerir álcool puro, na farmácia da terra? Se os contos de João Isabel não apresentassem personagens deste jaez, eram menos credíveis, ou pelo menos sofriam do não respeito â verosimilhança, que, como já se deixou entender e o leitor poderá verificar, é mais que conseguida.

A linguagem é simples, tersa e natural, com diálogos espontâneos no seu tom coloquial, nos quais o autor se mostra um conhecedor atento da língua da sua terra, como fonte inesgotável de palavras e expressões de cariz local.

Sem contar com os provérbios que são proferidas ou iniciados e dão uma riqueza assinalável e documental ao texto, a semelhança do que fizeram Aquilino para as suas terras do demo e Nuno de Montemor para a região egitaniense.

Pela economia que lhe é inerente, não posso num prefácio exemplificar a variadíssima gama desta riqueza, mas o leitor topá-la-á a cada pé de passada, tão evidente ela se lhe apresenta.

Mas, se mo consentem, deixem-me dar-lhes esta

simples amostra, colhida em flagrante no seu discurso narrativo ou na boca das suas personagens:

-- “chiba”, “pagar a murta”, “calar a sanfona”, “bico calado”, “ia-me dando uma coisa”, “boca fechada não cria vareja” (em “Um Pastor da Serra"');

-- “por estas e por outras”, “para mão de ensino”, “dar escândula”, “sem mais aquelas”, ”danados daquele inJoão Isabel cidente”, “pedradas que até faziam lume” (em ”Bairrismo”);

-- “um rais me parta”, “E vai ele, disse-me”, “O Albino, na sua, respondia”, “e vai eu, atiro-me”, “faça o que V. Ex.ª quijer" (em “Dois Parceiros");

-- “Quem merca os requeijões?” “É uma terra derrancada“, “Tens umas mãos de prata“, “Senão não botava cá”, “deixa-me lá ir”, ”abusava da pingoleta”, “que façam cruzes na boca” (em A Ti Clotilde dos Requeijões”);

-- “não estar com mais aquelas”, “não lhe ligavam nenhuma” “ala que se faz tarde”, “tirar palhinha com ele”, “sou homem p'às curvas”, “tens mais sorte que o Facadas” (em “O Pataquinho”);

-- “deixa-me lá ir”, “cal quê?”, “a patroa e os-filhos”, “dê lá por onde der”, “Foi o cão do nevoeiro”, “eu botava cá, de qualquer maneira”, “uma vez não são vezes”, “teso como um carapau” (em “Noite de Consoada”);

-- “tocado da mioleira “, “não venham cá com cantigas” “de tacha arreganhada", “à conta dos capacetes quentes e das requintas altas”, “venho à rasca dos pés”, “tem muita queda", “como o outro que diz”, “está o pão chegado ã foice” (em “O Compadre e o Prior”);

-- “tremer como varas verdes”, “oferecer um lanço”, (em “Rosa Maria”);

-- “aIapardado", “uns cobres no bolso para uma bucha” (em João Brandão”).

Se talvez fosse dispensável a parte final do conto “Um Pastor da Serra” -- o que veio a ser o filho do João Badana;

se em “Deus e Satã” o narrador se converte mais num doutrinador (quase pregador); e, se no mesmo conto, o nível de linguagem da São e do Joaquim Pedro não lhes está cabalmente adequado; e ainda se o milagre da Nazaré, no conto Contos Serranos -- 15 “João Brandão”, talvez esteja metido a força, não há dúvida de que estamos perante um artista cujos contos merecem um efectivo realce, pela sua naturalidade e transparência, pela forma como nos az ver a verdade desta gente e pela arte revelada no seu conhecimento de toda a realidade serrana.

Vão os contos ilustrados com primorosos desenhos do Pintor Isolino Vaz, óptima e bem realizada ideia que vem pôr em relevo todo o encanto desta obra, em alguns dos seus traços mais pertinentes. Eis a génese desta ilustração: “João Isabel é da família. Um dia leu-me uns contos. Achei-os saborosos e pedi para os ilustrar. Entretanto ele morre 7 e eu quis cumprir a minha palavra” 8 Bem cumprida esta palavra que vem servir a Arte modelarmente.

Não ficaria bem comigo próprio, se não deixasse aqui exarada uma palavra de viva felicitação à Câmara Municipal de Manteigas, patrocinadora desta edição que, honrando o artista e a sua terra, acaba por se dignificar a si própria nesta área inequívoca da cultura.

GUARDA, Dezembro de 1987 Abílio Perfeito 1923 - 2009 08 07

–  –  –

O Ti João Badana era um velhote simpático, já caído na casa dos setenta, mas que ainda mourejava lá pela Serra, a fazer alqueives ou a guardar o gado. Tinha quatro filhos que o ajudavam na labuta da vida. Usava suíças que lhe davam um aspecto serrano e patriarcal.

Naquele dia tardava, contra o costume, e era quase

noite quando chegou a casa. Subiu a escada, entrou na saleta, sentou-se na arca e disse à mulher:

-- Encontrei há migalho o José Torrado, em Santo António.



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